domingo, 4 de dezembro de 2011

Missão poética


Penso como poeta que se sente tenso na poesia,
Que modifica o tempo que socorre a vizinha,
Que destrói o terço que lhe conforta o dia...
Sem saber nem mesmo o que fazer.

Penso como o seresteiro que madruga a madrugada;
Que retoca a paisagem desalmada;
Por não ser nem poeta, e nem cantor.

Penso que o amor é embalado sem colocar o preço,
Que resiste à poesia que em formato, é soneto!
Mas que na chegada sem tropeço, rima por só saber rimar.

Penso que a certeza desvia o sentido de uma dúvida,
Que na austera, e simples, estrutura de uma grua...
Filma sem nem mesmo saber, o que verá.

Penso que assim encerro o pensamento.
De uma forma que a ferida vivendo de ungüento,
Jorra poesias no mar da discórdia, que aprendeu a amar.

Penso que tudo modifica o que não existiu,
Que o medo verte das esquinas de pendão varonil,
Mas penso... Que nunca serei um poeta...
Sem o poder de esconder o vil.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Eu acredito na igualdade humana


Cada vez que o refrão dizia que valeu a espera;
Ou que a semente que plantamos frutos nos reserva;
Sempre que a humanidade deixa de lado o que podemos ser!

Nas evoluídas noites que passei dormindo em claro;
Na deixada de beijos, que lábios mais que molharam;
Entre todos os motivos, eu ri perante o desejo de ser feliz!

Na austera [e inócua] paisagem de uma primavera-verão;
Nos entraves de uma comunidade quilombola em seu chão;
Tive tudo o que de mais intenso poderia ter!

Se nos frutos perdidos de letras que ainda não esqueci,
Deixei a saudade com mesa posta e fui passear por aí,
Nunca esqueci o poema como forma de me identificar!

Hoje jogo confetes perante o reflexo que me traduz;
Mas amanhã, estarei pronto para a labuta...
Eis o dia ímpar de uma história por começar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Estudando


Estude história, e verás que a maior
[e mais importante] de todas as tradições,
Foi construída sob a maior de todas as mentiras.
Estude os anais da história, e descobrirás que heróis,
São “a obra prima dos espertos”,
E que as paredes dos templos [ainda não descobertos],
Revelarão a dor, que muitos não poderão suportar.
Estude o contexto de uma história,
Para ver a serpente contando glória!
Ou a inversa tempestade da memória...
Cingindo cores com olhares de marfim!
Estude a história, e verás que Papas,
Além de mancharem o passado,
Tingiram de roxo rebuscado...
Até mesmo o santo pedaço de cobertor!
Estude a história, e verás que a interpretação mentirosa,
Sustenta na Catedral máxima, a monstruosa...
Instituição carnal de nosso amor!
Estude a história, que verás [e guardarás] na memória,
A doce poesia que machuca a todo dia,
Apenas por dizer-lhe a verdade sem esconder!
Estude a verdadeira marca que se deixou;
A estúpida versão que se contou;
E no final verás que ser um homem...
É mais que moldar-se pelo vento do além mar.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Com licença, sou poeta


Eu queria o desejo intrínseco;
Desprovido do molejo cíclico;
De quem ama mais que uma vez só.

Queria o ardor da pele;
De um navegador que reze...
A última poesia de Camões.

Penso na auréola a escolher rimas.
Descubro prazeres na canção que mente climas,
Mas nunca deixo de conectar-me...
A quem merece o meu amor.

Jogo poemas nas ruas de minha cidade.
Tinjo teoremas na pesada insanidade,
Ora bolas! O poeta ama pra sentir dor!

Em meio a vertentes desconexas;
E tornozelos maculados pelas frestas;
Sufoco sentidos mentindo pro inimigo...
Que sou mais que um compositor. 

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

PESADELO


Escorria nas paredes do outono;
O amor que faísca a relva de um pouso,
Desfocado pelo pássaro que dentes...
Não tinha para comer.

Verdejava ontem o paraíso
Que tantas vezes lançava o sorriso
Mas que na clausura do desespero,
Jamais tivera um verdadeiro amor.

Foste a semente que jaz brotada
No pensante pingente da amada
Despencada dos altos escarpados...
Pelas correntes maiúsculas do porém!

Eram doze hipóteses e não trabalhos!
Era a promoção contida em orvalhos!
Mas acima de tudo era o contexto...
Pedindo rima para o seu final

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Pouca coisa se aproveita


Seres medievos em pleno século XXI;
Não vejo como justificar a estupidez da massa;
Não vejo como adentrar a poesia sem a casta;
Não há como dignificar o cérebro para este fim.

Doravante serei um poeta crítico,
Não pelo mérito e sim pelo suplício;
Não estou à frente, apenas estão atrás.

Sempre tentei ser o adulto dentre crianças;
Quis o ofegante esforço da mudança;
E o que vejo? É isso que guardam para mim?
Programas pútridos dentre jornais ridículos.
Todos buscando a falta do saber fazer!

No início não compreendia a carga adulterada;
Hoje movimento olhos para fora da murada;
Sou o tolo que poemas ainda quer fazer.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poetas perderam função


Acordei com a vontade de desconsertar o improvável.
De ter a semente maiúscula do imutável,
De ser o verdadeiro e honesto compositor.
Olhei para o lado, e logo senti a angústia,
De quem sente sempre algo de errado,
A forma virtuosa de um autêntico desastrado,
Mas ao invés de perder...
Entrei em quadra para empatar!
Nada me irrita ou incomoda mais
Que a falta de conteúdo dessa gente.
A fome que sinto junto ao revés que vem a frente.
Não sei se o direcional perdeu o norte...
Ou foi o prumo que enlouqueceu!
Nas passagens da madrugada,
Ou na semente de uma amada,
Talvez seja a morte batendo na hora de não chegar.
Toda vez que estudo o estúpido comportamento,
Me arrependo ao ponto de mudar de opinião.
Hoje estou me sentindo mais historiador,
Mais contista, mas menos poeta por vocação!
Hoje acordei, mas a vontade era continuar dormindo,
E quando olho para a falta de vontade e raciocínio,
Vejo que Pessoa estava certo:
Não tenho par nisto tudo neste mundo.

E nem vejo solução.