Penso como poeta que se sente tenso na poesia,
Que modifica o tempo que socorre a vizinha,
Que destrói o terço que lhe conforta o dia...
Sem saber nem mesmo o que fazer.
Penso como o seresteiro que madruga a madrugada;
Que retoca a paisagem desalmada;
Por não ser nem poeta, e nem cantor.
Penso que o amor é embalado sem colocar o preço,
Que resiste à poesia que em formato, é soneto!
Mas que na chegada sem tropeço, rima por só saber rimar.
Penso que a certeza desvia o sentido de uma dúvida,
Que na austera, e simples, estrutura de uma grua...
Filma sem nem mesmo saber, o que verá.
Penso que assim encerro o pensamento.
De uma forma que a ferida vivendo de ungüento,
Jorra poesias no mar da discórdia, que aprendeu a amar.
Penso que tudo modifica o que não existiu,
Que o medo verte das esquinas de pendão varonil,
Mas penso... Que nunca serei um poeta...
Sem o poder de esconder o vil.