quinta-feira, 19 de novembro de 2009

AGRIDOCE

Quero fantasias em destaque
Modelos em vitrinas,
Sabor de chocolate.

Vitrais com arte medieval
Sexo dos anjos com sorrisos,
Código paranormal.

Trufas que lembrem lutas
Auroras cor de amoras,
Seu sabor em tempo integral.

Alguns ítens de pautas desconexas
Suflês de ritmistas e caretas,
Historias de amor e ódio...

Como enfeites de natal.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Frases órfãs

Línguas estúpidas que remexem dúvidas,
mas não atingem máculas ou sequer fazem dor;

Brotoejas de pele e corpo demente
com auroras que enfeites, não podem descrever.

Lampejos do seresteiro sem a harpa,
mas vestido de bardo, com semblante menestrel.

Estocadas de poesia na planície de um dia
que nunca conseguiremos esquecer.

Imaginários pousos e repousos
que retocam a planície em tinta óleo num bordel.

Centrífugas cerebrais que tiram nó de contexto
Mas que na intrínseca pele de um pêssego...

Morrem sem dizer adeus.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Mais que poesia

De que adianta um poema,
se palavras em papel não abraçam nem dizem olá?
Que lembranças de outros temas
posso pinçar em versos que representem amor?
De que adianta outro poema [de dores e fulgores]
se a distância entre corações determina o amanhecer?
De que adianta um reles poema,
se a clausura extirpa cancros,
mas jamais define o que se vai dizer?
E o que olhos movimentam,
quando lágrimas defenestram
[e mentem que agüentam],
a ausência de um bem querer?
Como posso ludibriar sentidos,
quando o poema que faço [ao bandido]
define rostos, gostos e admiração?
Como fingir teoremas sem Pitágoras,
ou certezas em meio a dúvidas,
que embora trágicas,
demonstrem minha maior
e mais relevante servidão?
De que adiantam meus fiéis reis e vassalos?
De que adianta ser um plebeu ou aristocrata,
se a malícia de uma bela, [mas ingrata]
sufoca estrelas com podridão?
De que adianta minha amiga,
pedir poemas ou poesias,
se a vontade da ânsia de qualquer dia,
é dizer olá para todo e qualquer ser?
Quero um mundo
com muito mais que versos e suas rimas;
quero um mundo que aumente
e crie estoque de auto-estima!
Mas quero um fato impactante com a maestria,
de quem se sente poeta...
No direito de sentir amor.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Intrínseca crise



Torrentes de amor e ódio
Desacatos tardios de lutar
Mortos de acaso choram...
Lágrimas nunca vão buscar.

Agora que ouço vozes pelo sol
Inconstância de acasos a abrigar
Deixe de fora no tudo e o nada
Pestanejos de amores por você!

Amargos gritos de pudor
Poesia sem rimar o que vai ser?
E na ânsia de um forte lutador
Vês a glória de um pobre ser.

Mortos às calçadas jaz decoram
Noites de natal nunca mais terão
Abrigos com pássaros a cair
Céus cortados por raios e trovão!

Poemas, poemetos e poesias
Sonetos que revelam minha dor!
E na nascente água de mais um dia
Eis que finda minha gota de horror.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Conselhos de um poeta metido a rei

Vença as barreiras da insanidade.
Deixe a sandice com sua maldade;
Seja você em todos os dias...
Que estiver vestido de ninguém.

Morra aos prantos agarrado em fotos!
Sucumba nos montes abaixo do Sinai.
Vá de retro, mas vá com convicção.
Seja sempre o inimigo mais heróico...
Para ao vizinho estender a mão.

Estude o que ninguém jamais desejou!
Disfarça lantejoulas de paetês;
Finja que você é você mesmo,
Para todo o sempre... Se assim puder.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A maior de todas as urgências

Ser belo sem que cheire indulgência.
Ser modesto sem ser falso
e no pretérito mais que imperfeito...
ser o motivo de um beijo
com sabor de eclipse total!

Mover as artimanhas antes da montanha
e sempre definir o segredo de ser urgente.
Solucionar o soluço doentio,
movendo a areia doce e flexível
acendendo-lhe a ponta do pavio!

Ser eu tu ele nós vós e Deus!
Saber que tudo é urgente
mas nada mais prudente
que respirar a todo instante...
Para manter-se poeta neste coliseu.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Paredes da obviedade



Como o relincho reverberizante
No tropeço do mar sem ondas
Déspotas horas de minhas rugas;
Montanhas; montes e talvez um morro.

Verdejantes planícies de cetim trançado;
Seresteiras madrugadas de cantil secado
Em exílio morres sem a vida conhecer...
E sem penas para sussurrar um oh!

Donos de frutas em Oasis desérticos
Um sol; uma lua; e seu corpo a sós.
Reluto de rosto prostrado ao solo!
Movo lenços. [choros] Não vivo mais.

A lápide circunda epitáfios em sua ode.
Jogo tudo ao alto e em soluços defino
Existem paredes mais óbvias que estas aqui?
Reservatório de sinceridade lúgubre.