Nobres costas esfoladas na sofridão;
Ritos de uma injusta viagem além mar;
Um novelo de ideias castigadas pelas mãos;
Homens e mulheres impedidos de amar.
Era a injusta mácula, em calabouços sem perdão;
Eram trinta, ou sessenta dias pra chegar;
Nada justificava quem morria na prisão;
Muitos partiam,
sem nem mesmo começar;
Eram todos fortes e felizes, nobres aprendizes...
Que caçados esqueceram... Sua terra e paixão!
Negros de nações misturadas em navios;
Pessoas que brigaram pela própria condição.
Hoje reflexos ditam séculos - em memória do terror!
Eram castigados, sem direito a uma voz;
Jogam em museus as mentiras de um pintor!
Maltratados, não sorriam, impedidos pelo algoz.
Negros separados de seus pais, mães e seu avô;
Deixavam para trás, as descendências do amor;
Perdidos e juntados
entre Gêges, Oyos e Nagôs;
Perderam tudo, ganhando pouco mais que uma dor.
Entre correntes, eram arrastados para o eito;
Jogavam capoeira, agrilhoados na canção;
Eram punidos, como se o branco fosse o eleito;
Sucumbiam... Sem motivos para a punição.
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